Já faz algum tempo que estou ensaiando para por no papel – ou no monitor – alguns pensamentos sobre a eficácia da Polícia em nosso Estado. Desde que o Fleury assumiu o Governo do Estado, para ser mais exato. Acho que agora é o momento certo, graças ao imbecil do Pedro Tobias.
Sucessivos ocupantes do trono do Palácio dos Bandeirantes usam a Polícia do Estado de São Paulo para fazer propaganda política. As argumentações utilizadas são as mais diversas e interessantes. Mas a pior delas é afirmar que a Segurança Pública do Estado é eficientíssima, pois a quantidade de presos bate todos os recordes a cada ano.
Na minha forma de ver, essa afirmação demonstra exatamente o contrário do que se propõe a fazer: quanto maior o número de presos, menor a eficiência do aparato policial.
Se o número de presos é enorme, isso significa apenas duas coisas:
- A quantidade de crimes ocorridos é igualmente enorme. Não fosse esse o caso, existiriam menos criminosos, e a quantidade de prisões seria, como consequência lógica, muito menor;
- A Polícia Civil trabalha muito bem, dentro das péssimas condições que nos são oferecidas, enquanto que a Polícia Militar simplesmente NÃO CONSEGUE cumprir com a sua obrigação de fazer um patrulhamento preventivo eficaz.
A eficácia do aparato policial de qualquer Estado não pode ser mensurada pela quantidade de prisões efetuadas, mas pela quantidade de crimes efetivamente ocorridos e, destes, quais são solucionados. Quanto menos crimes, mais eficaz é a Segurança Pública. É tão simples, esta equação… Infelizmente os nossos políticos, apoiados pela mídia que não consegue pensar por si só, conseguem distorcer os conceitos de tal forma que imbecís como o PEDRO TOBIAS acreditam piamente que a Polícia Civil do Estado de São Paulo é ineficiente e que a Polícia Militar do Estado de São Paulo é eficientíssima…
Polícia eficiente é aquela que PREVINE a ocorrência de crimes e cria condições para a punição dos poucos que ousarem cometê-los. Polícia ineficiente é aquela que deixa acontecerem crimes aos montes e consequentemente não consegue criar as condições para que TODOS os criminosos recebam a devida punição legal.
Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC































Bom artigo, mas é preciso observar o seguinte: por mais eficiente que uma polícia administrativa seja em seu serviço preventivo, uma PM ou a PRF não têm bola de cristal para perver onde e quando o crime vai acontecer! Digo, para as prevenção do crime é preciso que se combata as potenciais e comprovadas causas do crime – desigualdade social e falta de assistẽncia estatal na saúde, na educação, a habitação, etc. Afinal de contas, a polícia cura viciados em drogas? A polícia é solução paar a pobreza? “Polícia na rua”, como diria Datena, “é bandido na cadeia”, mas por acaso significa também “criança na escola” e “almoço e jantar”? E a própria ação do estado no combate ao crime como é feito “ao gosto dos tucanos” gera uma situação de criminalização dos habitantes dos bairros mais carentes e das favelas em geral.
Eu acho que o aumento do número de prisões revela sim, de uma certa forma, uma eficiência (meio perversa) do aparato policial – e um fracasso retumbante do Governo (e não do Estado, que não passa de um ente passivo) nas políticas públicas, no combate às desigualdades e no cumprimento dos objetivos do nosso Estado Democrático de Direito expressos na Carta Magna. A única vontade do Governo é dispor de uma polícia fardada bem armada e violenta para fazer o papel de um grupo de extermínio legalizado. O Governo tucano não quer investir em polícia uma inteligente e humana.
[tucano]Pra quê investir em polícia judiciária para esclarecer crimes? Quase todas as vítimas da violência são pobres mesmo! E pra quê combater as causas das desigualdades, como o êxodo rural e a ineficiência da educação pública? Graças a isso dispomos de mão-de-obra abundante e quase gratuita, além de eleitores![/tucano]
E você está certo. Aqui no RJ por exemplo, menos de 3% dos crimes são elucidados. É uma vergonha!
Só vai em cana quem confessa, quem é apontado como autor ou o criminoso “celebridade”. Que é cassado com o impulso da imprensa. O resto “passa batido”. A impunidade e a sensação de que nada acontecerá são as principais molas propulsoras do crime.